Diário de uma usuária média de rede social #1

Tenho tentado expor menos da minha ansiedade e angústia nas redes sociais e, depois de passar anos com esse hábito, tentar me segurar tem sido uma experiência... peculiar. 

Primeiro percebi o quanto conto com esse espaço pra fazer o manejo das minhas emoções: se eu não falo no Twitter, por exemplo, quase dá pra dizer que não é real. Quando preciso me lembrar do nome de um shampoo que eu usava, um restaurante que visitei, o dia em que alguma coisa me afetou, quando ganhei algo, etc., tudo fica registrado de alguma forma por ali. Se não falo de algo por lá, é certeza que em alguns anos vou me arrepender porque vou procurar ativamente essa informação, mas não vou achar. Meus perfis se tornaram uma extensão da minha memória, o que me faz voltar bastante nas palestras e livros de trans-humanismo que eu lia no passado. 

Segundo que, de repente, também sinto menos vontade de conversar com outras pessoas sobre esses sentimentos. Fica mais evidente que eu só falo de sentimentos mais "crus" se for impulsivamente: preciso liberá-los imediatamente ou não vou querer desenvolver depois por um bom tempo, até me sentir mais sob controle. Se isso é bom ou ruim, não sei. Já me falaram que não é muito fácil saber sobre mim, mas me acho uma grande tagarela.

Percebi também que a minha vontade de interagir tomou uma guinada gigante para baixo: embora ainda consuma muito pelas minhas timelines, não tenho sentido vontade de responder e, pior, toda vez que eu me atrevo a entrar em uma thread para ver se o tom divertido continuou, tenho me arrependido amargamente. Cada vez mais tenho vontade de desligar a internet do mundo até cada pessoa passar por alguns cursos básicos de boas práticas, segurança, cálculo de tempo de rede, etc. Tem sido impossível manejar o nervoso que é entrar em um fio de piadas e pegar pelo menos 3 crimes contra a humanidade ditos de forma casual (e com alguns milhares de curtidas).

Sei que me abrir menos nesses espaços é bom, mas confesso que tô um pouco intrigada com os "efeitos colaterais" disso, então fiz a coisa lógica: migrei parte da exposição pra cá. Assim, consigo acompanhar um pouco do que evolui, do que fica igual e do que surge no meu comportamento. Minha esperança é parar de contribuir para uma rede encabeçada por Melon Husk e também parar de falar com qualquer outro ser humano, mas, como tenho conta pra pagar, essa segunda parte precisa ser monitorada e não pode acontecer.

Volto daqui umas semanas pra ver se me adaptei à vida de usuária "normal" que não fala o tempo todo de como não sabe diferenciar entre infarto e ataque de pânico.

Comentários

  1. "Tem sido impossível manejar o nervoso que é entrar em um fio de piadas e pegar pelo menos 3 crimes contra a humanidade ditos de forma casual (e com alguns milhares de curtidas)." EH ISTO. saudades do twitter, porque gostava dos amigos que fiz por lá e de saber como vai a vida deles (a senhorita inclusa), mas sem condicao de ler o tanto de bosta que aquele site jogava na minha cara.
    eu fiz um tumblr (acho até que voce segue ele, né????) que uso pra ventilar minhas emocoes horriveis em estado bruto sem precisar usar mais o tt. acho que foi uma boa saída, porque pelo menos pra mim é dificil demais ~não falar ~. e as ideias mais elaboradas e divertidas vem parar aqui hauhauhauha
    bjo bjo!!

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